de alma tão presente que dói o corpo.
A astrologia é bonita.
Eu particularmente vejo uma beleza inigualável e me traz uma satisfação orgástica quando os trânsitos planetário encaixam-se gloriosamente nas nossas vidas. Eclipse eixo Leão-Aquário. Casa 1 e 7, respectivamente, no meu mapa natal. Trabalhando a relação com o outro e meus relacionamentos profundos. É bonito em como os eclipses trazem desilusões - baques e tapas na cara para seguirmos o destino certo. Eles derrubam as expectativas, destroem o cômodo.
Eles desabam.
Desabam como prédios. Prédios compostos de tijolos, mesmo material do qual a confiança é feita. A cada ato heróico ao nosso ego primitivo ela se solidifica, acrescenta-se um tijolo, um cimento. O curioso é que os blocos não acompanham o mérito dos atos. Se o alguém levou um tiro por você ou se guardou seu segredo infantil, o tijolo é o mesmo. Do mesmo tamanho, do mesmo material, único. E assim, tijolo sobre tijolo, é que os prédios são construídos.
Lentamente,
detalhadamente,
emocionalmente.
Mas o que me causa mais fascínio é que, mesmo com tijolos tão sólidos, o prédio é extremamente frágil. Basta um abalo sísmico insignificante para que ele desabe por completo. Não sobra absolutamente nada além do silêncio ensurdecedor após a queda. É devastador observar todo aquele entulho. Entulho do que uma vez foi um lugar pacífico e seguro. Era orgulho de encher o peito e marejar os olhos ter não um prédio, mas um arranha-céus. Invejava os vizinhos, tinha vidros espelhados que os faziam refletir suas respectivas insignificâncias.
Mas então ele implodiu.
Sem aviso prévio, sem alarme de evacuação. E além do pó só restou a impotência. A paralisia. Incapacidade. E a mim - estática, sem ação, emudecida, machucada - me restaria - em outras Luas, em outros Sois, Vênus e Mercúrios - a mim me restaria a tristeza.
O desespero.
A culpa.
Mas a grandiosidade dos eclipses se dá ai.
O como o outro me vê,
o como eu ajo com outro,
o como eu me relaciono,
o relacionamento fixo com o outro,
o posionamento do eu externo perante o alguém idolatrado
- orgamos -
é sobre amor próprio.
É sobre libertação.
É liberdade aquariana.
É egocentrismo leonino.
É sobre mim.
Sou eu, só eu, pra mim, por mim.
É independência.
É bonita a palavra não?
in
de
pen
dên
cia.
É ser livre. Do outro. De si. É canto do pássaro no meio da madrugada.
A astrologia é bonita.
hoje eu peguei meu carro e me dei uma carona. fui até ali comprar um presente pra quem eu amo, pegar amoras no mercado. descobri o quão eu sou agradável e incrível. que mesmo com a lua em conjunção com plutão em capricórnio que me deixa com um nozinho na garganta e uma pulga atrás da orelha, mesmo desse jeito, eu sou alguém com humor ótimo. saí e me dei uma carona sem grandes luxos. me permiti não lavar o rosto e botar as espinhas pro jogo - são só hormônios, qual controle eu tenho sobre isso? - deixei meu cabelo-dormi-sem-secar-nem-pentear bem solto e bem no rosto, coloquei uma roupinha confortável e lá fui eu, dar uma volta comigo. comi subway durante os faróis vermelhos e sujei bem a cara e o volante de cheedar. praguejei pessoas no trânsito, comprei uma sacola reciclável, dei risada sozinha, me espantei sonoramente com os preços na tock stock e cantei rihanna bem alto no carro. eu jamas sairia no estado que eu saí, com as manchas no rosto e o cabelo rebelde. mas saí. e não só sai como me senti incrível. me senti linda. me senti eu. eu simpática. eu pisciana. eu educada. eu vegetariana. eu sensível. eu que faço yoga. eu que dirijo um peugeot. eu que medito. eu que amo bicho. eu corajosa. eu impulsiva. eu lua em libra que não sabe dizer não. eu sonhadora. eu que ama história. eu depressiva. eu que corro 7k. eu que ama livros. eu persistente. eu que ama o planeta. eu budista. eu que acredita que um mundo utópico não seja tão utópico assim. eu senti orgulho. orgulho de quem ri da própria desgraça e aprende com tudo. de quem procura reike, meditação, yoga, mantra, incenso, cristal e tudo que tem nesse planeta pra evoluir a alma. eu de alma tão presente que dói o corpo. saí hoje comigo, e nossa, que companhia agradável que eu sou. ainda bem! que bom que eu me tenho. e se eu pudesse dizer mais alguma coisa pra mim seria isso: desculpa. desculpa por te submeter a certas coisas, por não te cuidar, por não te fazer carinhos em certos momentos, por fazer você acreditar e ter certeza de não era o suficiente pros outros, pra você. por querer sempre te colocar num padrão, num peso, numa marca e esquecer o quão única e individual você é, por fazer você pensar que é só uma metade da laranja com outra metada da laranja pra te completar quando você é o pé de laranja lima inteiro. me perdoa. me perdoa de verdade. você é tão maravilhosa e forte menina. olha só pra tudo isso. deixa o ascendente em leão jogar na sua cara tudo o que você é e tudo o que você pode ser. olha o quão você é linda e completa com as tuas estrias e tua foliculite. olha só, como cada composição sua te faz você, te faz sua. mulher, você não precisa de nenhum alguém idealizado pra te falar isso não. você tem eu, tem você, que ja sabe disso tudo mas não quer dizer porque não quer ouvir dessa boca. senta menina e acalma o peito. e mais uma coisa, obrigada. obrigada.
tem tanta coisa ainda que eu queria falar de mim, do meu gosto musical eclético e lindo, do como eu danço funk no banheiro e do quanto eu canto mal mas é bonito porque eu canto com vontade. queria dizer do meu gosto incrível pra decoração e do quanto eu sou inteligente. dizer que faço bolos incríveis (e o ápice do dia foi o naked cake). queria dizer o quão eu escrevo bem e tenho uma ideologia centrada e linda. mas ta vendo, é isso o que acontece. eu falo de uma coisa e lembro de outra. porque eu sou luz. todos são mas alguém fala pra gente que a gente não é. e a gente acredita. que nossos defeitos são horríveis demais e então temos que reprimi-los ao invés de aprender com eles porque deus me livre ter defeitos. que minha inveja, ciúmes, impulsividade, egoísmo, apego não fazem eu ser quem eu sou, passar pelas coisas que eu passei e aprender as coisas que eu aprendi. a gente acredita nisso e esquecemos que somos luz.
jamais imaginaria que passar uma tarde comigo seria tão proveitoso. longe de cursinho, de amigo, namorado e bla bla bla.
eu e eu. a pessoa que mais fico e não fico no mundo.
esse é o primeiro texto que eu me faço. depois de tantos, esse é o primeiro pra mim. espero me dar mais caronas.